ARTIGO

2019 e a onda global de protestos

O relatório Austerity, do New Normal, prevê que até 2021, dois terços de todos os países do mundo serão afetados pela austeridade dos governos, atingindo quase seis bilhões de pessoas.

13/01/2020 21h24
Por: Itaberaba em Foco
Foto Ilustração
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Nos últimos meses, testemunhamos uma multiplicação de movimentos de protestos em todo o mundo. De Hong Kong a La Paz, culminando em Quito, Barcelona, Beirute e Santiago, uma enorme onda de cidadãos foi às ruas para exercer seu direito de demonstrar insatisfação e exigir mudanças daqueles que estão no poder.

Infelizmente, o resultado desses protestos tem sido uma resposta extremamente dura dos estados, o que geralmente acabou em violações graves dos direitos humanos.

A Anistia Internacional documentou sinais de violações e abusos dos direitos humanos durante protestos na Bolívia, Líbano, Chile, Espanha, Iraque, Guiné e Hong Kong. Também na França, onde manifestações de “coletes amarelos” acontecem em todos os sábados há quase um ano. A Anistia Internacional denunciou casos de uso ilegal da força pela polícia, tendo em muitos casos resultando em ferimentos graves.

Em Hong Kong, os protestos que começaram em abril de 2019 continuam, apesar da repressão policial, enquanto em outros países os protestos foram rapidamente reprimidos com prisões em massa. No Egito, mais de 1000 pessoas foram presas por participarem de protestos em setembro. Se este caso for a tribunal, será o maior caso criminal relacionado com protestos na história do Egito.

Para a Anistia Internacional, os protestos pacíficos não são um crime, mas um direito fundamental. A maioria dos governos optou por responder a esses protestos de maneira completamente desproporcional, injustificada e, portanto, ilegal.

Aqui estão alguns dos principais gatilhos que incentivam essas manifestações generalizadas:

Corrupção: Alegações de corrupção no governo ajudaram a desencadear protestos maciços no Chile, Egito e Líbano. Se o abuso de bens públicos vinculado à corrupção é criminoso, também é uma questão de direitos humanos, porque muitas vezes os fundos destinados a serviços básicos são desviados. Segundo a lei de direitos humanos, os governos são obrigados a fazer o melhor uso dos recursos para garantir que as pessoas possam viver com dignidade.

Custo de vida: A preocupação pública legítima com o aumento do custo de vida é agravada pelas severas políticas de austeridade impostas por muitos governos, como é o caso do Egito e do Equador. As consequências das medidas de austeridade nas populações só tendem a piorar.

Governança contestada: Em outubro, aconteceram mobilizações e manifestações em massa em Barcelona e em toda a Catalunha, desde que a Suprema Corte espanhola condenou 12 líderes e ativistas políticos catalães. Os protestos eclodiram na Índia depois que o governo indiano tomou uma decisão unilateral de revogar o artigo 370 da Constituição, que garantiu o status de autonomia especial de Jammu e Caxemira e dividir o estado em dois territórios da União separados. Todas essas emendas e modificações foram feitas no contexto de um corte total nas comunicações, um toque de recolher imposto aos deslocamentos e prisões em massa de ativistas e líderes políticos na região.

O relatório Austerity, do New Normal, prevê que até 2021, dois terços de todos os países do mundo serão afetados pela austeridade dos governos, atingindo quase seis bilhões de pessoas.

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